Ordenados de 4 mil euros já não são suficientes para comprar casa em Lisboa já que o aumento dos preços na capital dificulta compra de casa a crédito.

A subida de preços em Lisboa dificulta a compra de casa a crédito mesmo para as famílias com rendimentos acima da média.

Entre o Cais do Sodré e o Príncipe Real, em Lisboa, há um tesouro que se estende aos pés de quem passa, pois cada metro quadrado de chão que separa as duas praças vale 6050 euros.

A freguesia da Misericórdia é a mais cara do país, onde comprar casa está ao alcance de poucas famílias, principalmente se precisar recorrer ao crédito à habitação.
Uma família que leve para casa quatro mil euros líquidos por mês só conseguiria obter financiamento para comprar uma casa de 120 metros quadrados em metade das 24 freguesias da capital. Nas restantes, o acesso ao crédito seria travado ou dificultado pelo banco, por ultrapassar a taxa de esforço recomendada.

O Banco de Portugal aconselha uma taxa de esforço máxima de 50% e os bancos aceitam, em geral, uma taxa máxima de 40% ou um terço do rendimento total do agregado familiar.

Nas três principais freguesias da baixa lisboeta, para um empréstimo a 25 anos, com uma entrada de 20% do valor do imóvel e uma taxa de juro média de 2,3%, a taxa de esforço ultrapassa os 60%.

Sérgio Pereira, CEO do Compara Já, refere que esta é uma tendência das grandes cidades e que uma família com um salário acima da média também não consegue comprar casa no centro. A subida de preços até pode abrandar, porque não será sustentável continuar a crescer a este ritmo, mas Lisboa começa a seguir a tendência das grandes cidades europeias, como Londres, Paris ou Frankfurt.

No centro histórico de Lisboa, o preço do metro quadrado disparou 67% numa década e mesmo depois de terem batido no fundo com a crise no primeiro semestre de 2013, os preços já recuperaram 110%.

Sérgio Pereira considera que a solução para as famílias passa por tentar comprar casa nos arredores de Lisboa e alerta que o Governo terá de criar melhores acessos e mais transportes públicos, pois viver no centro de Lisboa será cada vez mais difícil.

O Compara Já fez a mesma análise para o Porto e felizmente a situação é menos crítica.

A simulação revela que uma família com os mesmos quatro mil euros consegue obter facilmente num banco, um crédito à habitação a 25 anos para a compra de um imóvel em todas as sete freguesias da Cidade Invicta. Até quando? Não sabemos, mas esperamos que o Porto não siga a mesma tendência.

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