Não sabemos o que comemos: o mundo por detrás da fraude alimentar.

Existe um mundo por detrás da fraude alimentar e a verdade é que nós não sabemos o que comemos.

Estima-se que um em cada dez produtos seja afetado pela fraude alimentar, que gera lucros ao nível do tráfico de droga.

É bacalhau que é paloco, vaca que é porco, mel com açúcar, queijo de cabra feito com leite de ovelha; peixe com aditivos que retêm a água, tornando-o mais pesado… Estes são apenas alguns, mas nem de perto os únicos, dos logros mais comuns nos alimentos.

Segundo um relatório do Parlamento Europeu sobre fraude alimentar, publicado em 2013, identifica por ordem os dez produtos com maior risco de falsificação na Europa e são eles: o azeite, o peixe, os alimentos biológicos, o leite, os cereais, o mel e o xarope de ácer, o café e o chá, as especiarias, o vinho e certos sumos de fruta.

De acordo com a ASAE, alguns destes alimentos estão igualmente entre as fraudes mais comuns em território nacional, como são exemplo: a venda de peixe e carnes diferentes dos declarados ou com aditivos proibidos para aumentar o peso do alimento, queijos de cabra produzidos com leite de vaca ou ovelha, azeites adulterados com outros óleos vegetais, vinhos caros falsificados e aguardentes vínicas com mistura de destilados mais baratos, como maçã e cana-de-açúcar.

Portugal é um dos maiores consumidores mundiais de peixe per capita, sendo particularmente afetado pela possibilidade de fraudes nesta área.

É inacreditável a quantidade de práticas desonestas e ilegais que são realizadas diariamente, apenas com o intuito de aumentar os lucros.

Uma dessas práticas é injetar no peixe aditivos expansores, que retêm a água e fazem aumentar o peso de modo ilegítimo. “Uma pessoa compra um polvo com um quilo ou dois, chega a casa, coze-o e fica com 350 gramas”, explica Manuel Tarré, um dos fundadores da Gelpeixe, uma das maiores empresas nacionais de alimentos ultracongelados. “A maior parte destas práticas é feita fora de Portugal, mas é um facto que algumas empresas portuguesas podem estar a fazê-lo.”

Há também a questão da água de vidragem, ou seja, o peso da camada de gelo que envolve os produtos congelados, que obrigatoriamente tem de ser descontado, mas que muitas vezes também não é feito.

O azeite é outro setor que vive muito do seu bom nome e talvez por isso as desonestidades, nomeadamente a mistura de outros óleos vegetais, são pouco vulgares, mas acontecem.

O caso do vinho é diferente. Este é adulterado e vendido como se fosse legítimo, a preços astronómicos, levando o cliente a acreditar que está realmente a comprar o produto legítimo.

Os laticínios também não escapam à fraude alimentar. Uma das situações mais usuais é a presença de leite de vaca em queijos de cabra. Outra situação é a entrada recorrente em Portugal dos chamados análogos a queijo, normalmente os produtos fatiados, falseados pela mistura de gorduras vegetais e a existência de bebidas que se intitulam de leite quando apenas são bebidas de soja e amêndoa.

O grande problema é quando a fraude alimentar ultrapassar os limites do crime económico e transformar-se numa crise de saúde pública, ficando a saúde de cada cidadão em causa.

A adulteração de produtos tem sido apontado, por alguns especialistas, como uma das razões para o aumento generalizado de alergias alimentares. Não há dúvida de que muitas reações alérgicas, por vezes fatais, estão diretamente relacionadas com a troca encoberta de ingredientes por outros mais baratos.

Os dados das operações de fiscalização dão a entender que há um aumento generalizado da fraude alimentar.

E a vítima não é apenas o consumidor. Segundo Pedro Queiroz, presidente da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares “a concorrência desleal é um problema. Põe determinadas empresas em vantagem competitiva”, acrescentando que “muitas vezes, a fraude propaga-se a outros operadores económicos sem saberem.

O operador pode ser enrolado, como aconteceu com a carne de cavalo. Mas a sensação que tenho é a de que, em Portugal, se trabalha bem, o que não quer dizer que a burla não aconteça. Eventualmente produtos importados de países com menor controlo, fora da União Europeia, podem ser mais propícios a fraude”.

Outro dos grandes problemas é o facto dos criminosos estarem em constante evolução, pesquisando e encontrando novos métodos, cada vez mais indetetáveis, prejudicando assim o trabalho de quem é responsável pela fiscalização.

A questão fulcral não é saber se andamos a ser enganados quando olhamos para o carrinho, é saber em quê. É assustador o que estamos a assistir.

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