O dinheiro do Estado para escolas privadas pagou luxos atrás de luxos: férias, carros, bilhetes para o mundial de futebol de 2006, jantares, vinhos e até seguros pessoais, segundo o Ministério Público.

Na acusação do Ministério Público (MP), são descritas várias situações de uso indevido de verbas provenientes dos contratos de associação com o Estado.

Os arguidos terão alegadamente feito uso indevido de 30 milhões de euros dos mais de 300 milhões pagos pelo Estado no âmbito deste contrato.

Parte das faturas eram emitidas sem que as mesmas correspondessem a serviços efetivamente prestados ou a bens efetivamente fornecidos aos colégios, refere a acusação do MP.

Entre os serviços pagos está uma viagem de cruzeiro entre 29 de julho e 05 de agosto de 2005 e alojamento em Barcelona com pequeno-almoço, num total de 3.777,50 euros; uma passagem de ano em Vigo entre 29 de dezembro de 2006 e 01 de janeiro de 2007 no valor de 5.338,39 euros; uma viagem ao Brasil (São Paulo) ao jogador de futsal Nino no valor de 2.982,68 euros, entre outros.

Os administradores arguidos compraram ainda diversos carros de luxo, “a expensas do IDJV (…) posteriormente revendidos, por preço inferior, a familiares ou pessoas da sua confiança”.

A acusação refere ainda a criação de sociedades ou utilização de sociedades já existentes das quais os arguidos eram donos para apresentação de faturas aos colégios ou empresas do grupo, “destinadas a justificar saídas de dinheiro para as suas esferas patrimoniais pessoais.

A acusação sumaria ainda os valores imputados pelos arguidos administradores às empresas do grupo, tendo recolhido informação de faturas em restauração, entre 2015 e 2012, no valor total de mais de 44 mil euros, mais de 130 mil euros em viagens e estadias no mesmo período, e quase 79 mil euros em artigos diversos, que vão desde telemóveis e vinhos a cortinados e utensílios e mobiliário para casa.

FONTEJN
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