Cláudia esteve em sofrimento: “Aos berros ‘eu vou morrer, o meu coração’”, disse o pai da jovem de 25 anos que faleceu de uma doença genética rara que provoca o envelhecimento precoce do corpo.

“Isto começou quando quiseram dar pulseira eletrónica à minha mulher. Quando ela não aceitou, dirigiu-se ao tribunal a ralhar e foi condenada a outro processo pelas injúrias. Foi condenada a um ano e dois meses”, disse o pai, enaltecendo a mãe que “era a cuidadora da filha durante 24 horas por dia”.

“A minha filha, desde que a mãe foi detida, fez de tudo, até ir para o estabelecimento prisional para o pé dela”, disse.

Sem a mãe, o pai revela que Cláudia “Sentia-se mal todos os dias. Desde que a mãe foi presa, íamos nas viagens para o Porto [para a visitar] e tinha de parar três vezes. Sentia-se mal, não andava a comer já tudo por causa disto: a ansiedade, o stress que ela meteu no coração, Nunca mais foi a mesma. Via-se que ela não andava bem, só queria a mãe”, frisou.

“Disse ‘pai, quero ir outra vez ao hospital, está-me a dar outra vez o aperto’. Ligo para o INEM e ela esteve ali a dizer ‘acuda-me que eu vou morrer’. Pus na maca a garota e passado um bocado é que veio um médico, leva-a para uma sala e fechou a porta (…) Demoraram muito (…) também houve falta de auxílio. A garota aos berros ‘eu vou morrer, o meu coração’ e não fizeram nada”, apontou.

E continuou: “Diz que são regras das prisões. Não sei o que é que passa. Ela manda-me ir sempre ao cemitério (…) Sei que ela está a sofrer na prisão porque ela é muito ligada a ela, muito. Quero justiça, que ela saia da prisão, porque não merece estar na prisão. não é por umas injúrias que as pessoas vão presas”, revelou.

“Já deram cabo da minha filha, não dêem cabo de mais ninguém. Se ela [a minha mulher] está lá mais tempo, algo mais vai acontecer. Eu sei que ela não come e não bebe na prisão. Se não fosse isto a garota ainda cá estava, porque a mãe era um grande apoio para ela”, disse.