É preciso uma politica eficaz de apoio aos cuidadores de crianças deficientes.. Há anos que surgem Projetos de Lei e Projetos de Resolução na Assembleia da República, apresentados por todos os partidos, com medidas de apoio aos cuidadores informais, mas «nunca saíram do papel».

Uma petição que reuniu 14 mil assinaturas deu entrada no parlamento há dois anos reclamando, entre outras medidas, o «o devido reconhecimento social e jurídico» dos cuidadores, o direito a uma redução do seu horário laboral em 50 por cento, sem perda de vencimento, o apoio de terceira pessoa na assistência ao cuidador e o direito a uma pensão de sobrevivência mensal após a morte do doente.

Apesar de ter sido apresentada por um grupo de cuidadores de pessoas com demências associadas ao envelhecimento, os pais-cuidadores acharam que tinham muitos objetivos comuns e decidiram unir-se a esta causa. Atualmente está em discussão na Comissão de Trabalho e Segurança Social.

A estimativa da Associação Cuidadores Portugal/EuroCarers é que a actividade não remunerada dos Cuidadores Informais, em Portugal, deve valer quase 333 milhões de euros por mês (tendo como referência o salário mínimo nacional).

Sílvia Artilheiro Alves é uma das mães que se uniu a esta causa. «Nos últimos meses juntei-me às iniciativas do Grupo de Cuidadores Informais de Doentes de Alzheimer e outras Demências Similares, como particular, não associada a qualquer tipo de movimento, associação ou partido (assim como os outros pais, com quem vou ‘trabalhando’ na medida do possível, na reflexão deste e outros temas relacionados com o ‘objeto’ do nosso cuidado: os nossos filhos)», conta ao site Crescer.

Este é o valor estimado do nosso trabalho não remunerado e não reconhecido pelo Estado, depois de abdicarmos, muitas vezes, da nossa vida pessoal, laboral e social, em prol do cuidar do outro. Sujeitamo-nos a uma imensa sobrecarga física, psicológica e emocional, perdemos os nossos rendimentos e frequentemente a nossa própria saúde.

Não esqueçamos que, havendo mais condições para melhor cuidarmos dos nossos entes queridos no domicílio, evitam-se muitas institucionalizações e/ou hospitalizações que certamente serão muito mais caras para o Estado.

As respostas tipicamente institucionais, além de não serem suficientes, devem ser a última linha de apoio. Devem ser criadas condições para as famílias terem recursos de viverem e cuidarem até chegar a este “fim de linha”.

O estatuto a ser criado deverá abranger todos os cuidadores, independentemente da patologia e/ou faixa etária das pessoas cuidadas, como foi bem entendido pelos projectos de resolução e projectos de lei apresentados pelos partidos à AR no passado mês de março.

FONTECrescer

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